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Penetrália
 


Observações sobre Livro Agreste

Meu amigo Ramon Maia observou o seguinte a respeito desse livro: será que ele não está confundindo o sertão com o agreste?

Penso que não. A referência ao agreste é pertinente, pois é um livro agreste, ou seja, agressivo. Ele iniciou o texto tratando do quanto a literatura brasileira é pouco incentivada pelo Brasil em Portugal, mas não avaliou como a literatura portuguesa é estudada no Brasil. Ele também tratou do suposto "sequestro nacionalista" de Machado de Assis, fazendo lembrar o "sequestro do barroco" do teórico que Abel chamou, em dado momento, de "Haroldo Campos".

O ponto de vista do livro é português, sim, embora Batista não aceite esse termos. E isso enriquece.



Escrito por lucemiro às 12h59
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Abel Barros Batista e a Folha

Leio  O Livro Agreste, de Abel Barros Baptista. Vim a conhecê-lo numa interessante polêmica na Folha. No entanto, no livro encontro uma notinha em que reclama da Folha: "Quando a primeira versão deste ensaio foi publicada, como posfácio ao livro de Antonio Candido que organizei em Portugal (...). A Folha de São Paulo publicou uma entrevista comigo conduzida pelo jornalista Adriano Schwartz. A entrevista sairia severamente truncada -- foram eliminadas nomeadamente as passagens em que eu afirmava a minha admiração pela obra de Antonio Candido e precisava o sentido da iniciativa  de organizar um livro dele para a edição portuguesa -- e acompanhada de uma nota, de autoria de Walnice Nogueira Galvão, com o título "Pesquisadora rebate ataques a Antonio Candido", que me acusava de ter tentado fazer um "ajuste de contas" com Antonio Candido, sugerindo que a causa era essa mesma: ressentimento português. (cf. FPS, 16 de janeiro de 2006).

Escrito por lucemiro às 12h51
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Diogo Mainardi, guarde este nome

Ontem estava pensando sobre a triste figura de Diogo Mainardi. Ele aparece na Veja fazendo cara de mau. Ele fez uma longa estrada, desde a Istoé Senhor no início dos anos 90 até agora. Eles o apresentavam dizendo: "Diogo Mainardi, guarde este nome". Ele era um jovem escritor de 28 anos.

Mas Diogo não se deu bem como escritor, seus livros não venderam. Eu vi Malthus em muitos sebos de BH, tive pena, mas não comprei. Tentou ser roteirista para o irmão no filme Dezesseis Zero Sessenta, um filme até interessante, mas ignorado pela crítica e pelo público. Durante um tempo, Diogo foi colunista da Veja. Até que as editoras reclamaram e ele ficou somente com a coluna. Eu li um perfil numa revista Oi em que Mainardi diz que por todo lado é bem recebido. Em BH, pelo que soube pelos jornais, livraria nenhuma queria ceder o espaço para ele lançar Contra o Brasil. Afonso Borges interveio e obteve um espaço, senão ele nem sequer lançaria o livro na cidade... 

Agora, como colunista político panfletário e comentarista no Manhattan Connection, finalmente ele obteve o sucesso almejado. Sua coluna na Veja mistura referências a desenhos animados a obras literárias sofisticadas para fazer crítica política.



Escrito por lucemiro às 18h11
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Canção para Adam Sandler

Song for Adam Sandler

Adam Sandler works making laugh, as if it was the first time.

We didn't learn how to laugh, a baby laughs, it is a mystery.

As if it was the first attempt of reforming the world,

search to change everything in a remote control click

& he writes a film, a route, that is only balanced on a joke.

One note samba.

Once upon a time we believed that the world will put an end to pressing of a button.

Click. Atomic dustbin, the day after.

As if it was the first time, Adam Sandler made a film on the rage with a furious one, low brow: Angry Old Man versus a Jewish comedian of Brooklyn.

You sang Hanukah song at night on Saturday. You was circumcised.

You was Henry Roth, you should be Phillip Roth

As if it was the first time, to adapt Complex of Portnoy.

They said that you was the eggman, man-egg, man egg head

with some thing, a shine, a charisma, in the mouth, in the eyes.

As if it was the first time, Adam Sandler, reign about that song of The Who:

Oh, love, reign over me 24 jun

Canção para Adam Sandler

Adam Sandler trabalha fazendo rir, como se fosse a primeira vez.

Não aprendemos a rir, um bebê ri, é um mistério.

Como se fosse a primeira tentativa de reformar o mundo,

busca mudar tudo num clique de controle remoto

& escreve um filme, um roteiro, que se equilibra sobre uma piada só.

One note samba.

Uma época acreditavam que o mundo ia acabar com o apertar de um botão.

Clique. Atomic dustbin, the day after.

Como se fosse a primeira vez, Adam Sandler fez um filme sobre a raiva com um raivoso, golpe baixo. Angry Old Man versus um comediante judeu do Brooklyn. Cantou Hanukah song no sábado à noite. Foi circuncidado.

Foi Henry Roth, deveria ser Phillip Roth

Como se fosse a primeira vez, adaptar Complexo de Portnoy.

Disseram que ele era o eggman, homem-ovo, homem cabeça de ovo

com alguma coisa, um brilho, um carisma, na boca, nos olhos.

Como se fosse a primeira vez, Adam Sandler, reine sobre essa canção do The Who:

Oh, love, reign over me

Escrito por lucemiro às 19h19
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Uma Poética de Anjos

Uma Poética de Anjos

Recentemente, observando a semelhança entre dois textos, resolvi recolher as duas violentas pérolas e me debruçar sobre elas. Uma é de Eustáquio Gorgone de Oliveira, e outra de Luiz Alberto Brandão Santos. A primeira é Matadouros: Matar! Matar! Matar! Panças e bexigas floridas Nas paredes, no chão. Chifres serrados se tornam Genuflexórios da dor. E os punhais vão separando A língua, os olhos. Orquídeas roxas de sangue Brotam nos ladrilhos Do corredor. (O sol é uma lâmpada Que ilumina pela janela As correntes de ferro.) Matar! Matar! Matar! Dentro das veias secam Rios de violetas. Algumas flores fogem para os intestinos. Mas os punhais vão procurando As raízes da vida. Até o músculo é um vento Que os homens retalham. (Jornal Poiesis, ano V, número 45, março de 1997) Nesta elegia sem adeus, Eustáquio insiste em olhar para o mundo como um grande matadouro, onde a morte é organizada que o ser humano orquestra. O humanismo é o grande ausente deste texto. O ego se vê diante da contingência, sente a finitude da carne, descobre que o ser é o ser para a morte, e o texto fixa as evidências obsessivas, claramente densas e já repisadas, da extinção da vida. O poema encena também o genuflexório onde o autor se senta para orar depois da experiência excruciante do negativo. O próprio ritual da comunhão é uma antropofagia ritual; como um apóstolo descrente, o poeta constata a profundidade do corte que atingiu a civilização definida por Jesus, e para transcrever essa medusina experiência em palavras, recorre à observação da morte em escala industrial nos matadouros de animais. Luiz Alberto Brandão narra experiência semelhante, construindo, para transmiti-la, uma poética de anjos, que segundo ele “constitui-se de dogmas absolutamente escorregadios. Deve ser, sobretudo, rigorosamente impalpável.” Novamente, uma espécie de Judas sincero arranca a carne e a devora com sofreguidão, bebe o vinho e, pândego, se embriaga ao Comer Um Anjo: “Pelo faro/ Come-se um anjo/ Minuciosamente/ Mastiga-se a fibrosa/ Textura do seu nada/ Lentamente o oco azulado dos seus pântanos de asas/ A alimentar abstrações/ E descuidos/ Basta engolir aquele ar rarefeito/ Movediço./ Com o gosto úmido de galhos altos/ De diamantes em fatias luminosas./ Sabor caudaloso de minúsculas nostalgias/ Tempera-se somente o calafrio/ Do seu imponderável sexo de rosas./ O gosto de ângulos/ Somente/ Tosta-se o puro movimento/ Que se desprende dos músculos/ Tem gosto de silvos/ De silvos e cabelos/ Granulados/ em camadas levíssimas/ Basta inebriar/ Para que sejam insaciáveis as fomes/ Mas atenção:/ Ao comer um anjo/ Prepare seu sorriso/ Mais tosco/ Mesmo gargalhe/ Pois o corpo corrói-se/ Com a absurda delicadeza dos vácuos/ Estranhezas/ Trepidações/ A estufar todas/ As têmporas e linfas/ Suspira-se granito/ Arrota-se uma infinidade de cacos vazios/ E finalmente dorme-se/ Primitivo sono de nuvens/ Ou então/ Para aqueles de paladar intratável/ Vomita-se uma canção bizarra/ Uma canção bizarra e docemente longínqua.” (Revista Literária, ano XXVII, número 25, dez.93, jan. 94) Como no poema de Eustáquio, a experiência do eu lírico simula a aventura de Perseu, a de olhar no rosto das Górgones; é como se o eu do poeta, ao invés de decapitar a Medusa, devorasse o monstro. Daí talvez Perseu também saísse suspirando granito e arrotando cacos da cultura clássica greco-romana. Completando a idéia de que Matadouros e Comer um Anjo são poemas de beira-abismo, são fragmentos que observam o impasse de uma civilização, diante da qual o abismo se abriu, cito Walter Benjamin, que comenta em seu texto Sobre o Conceito de História: Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso. (Magia e Técnica, Arte e Política, Walter Benjamin, p. 226, Ed. Brasiliense) O anjo da história citado acima enfrenta o progresso, que, enfim, se mostrou algo diferente do previsto por Hegel e Marx. O principal alvo de Walter Benjamin, a meu ver, é o materialismo histórico, e para tanto dispõe de uma figura mística para o desmistificar. O poeta, ao descrever a receita de como se come um anjo, voluntariamente equaciona comer com copular, e de fato, é comum em várias línguas esta semelhança entre os dois vocábulos. É de profanação, dessacralização que de fato estamos falando. Tanto no poema de Eustáquio como no de Luiz Alberto, o eu devorador, matador, sádico, glutão, goza ao se entregar aos instintos de morte. O anjo é o mediador entre Deus e os homens. Na Bíblia é ele quem anuncia a chegada de Jesus. Matar o anjo e deleitar-se com sua carne, como se fosse carne de frango, é bruta negação de Deus. Na ausência de Deus, não há culpa, piedade, má consciência. A subjetividade de um, em Matadouros, busca a beleza na destruição do outro, desafia Deus em seu sadismo, saboreia e deglute o sexo do seu mensageiro, pois crê que Deus, se existe, é um proprietário desleixado e pode ser desafiado.

Escrito por lucemiro às 19h16
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Itália, Anos de Chumbo

 

Itália: Anos de Chumbo é outra história (02)

 

Minha carta - com título Itália: Anos de Chumbo é outra história, trocado por Em pele de Cordeiro, foi publicado quando Walter F. Maierovitch escreveu um texto que é a resposta vingativa de quem não admite críticas. Atitude alheia ao histórico editorial de Carta Capital.

 

Para Maierovitch eu seria filhinho da alta burguesia etc... Onde pegou isto não sei! Meu pai era um simples datilografo do Correio Central de Roma, que durante 35 anos viveu no condomínio de Casa Populares do Bairro Primavalle (Lote 25, Escada S Ap 6). Mas este não é erro! É, sim, manipulação para apresentar ao leitor a imagem do mauricinho, pluriassassino, mitômano, falso, dedo-duro que agora quer ser até “ativista do PSOL”!

 

Potere Operaio: em função da violenta conjuntura dos Anos de Chumbo (250 militantes processados entre 1971 e 73), realizou-se em 1974 o Congresso de Rosolina onde foi votado o fim da organização. Pois uma parte queria entrar nas Brigate Rosse, outra fundar Autonomia Operaia. Então porque dizer que P.O acabou por minha culpa?

 

Não há espaço para falar do processo, por isso fecho com a frase de Walter Veltroni que Maierovitch nunca cita “Temos que trabalhar para que aquele clima de ódio que caracterizou aqueles anos nunca mais volte”.

 

É isto que a Itália precisa e que uma boa parte de italianos querem. Maierovitch não entendeu isso!

 

Falar dos Anos de Chumbo, dos erros cometidos, do papel da Estratégia da Tensão e do neo-fascismo é necessário. Mas, por favor, não para cultivar o ódio!

 

Achille Lollo

 



Escrito por lucemiro às 19h15
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Na verdadeMaierovitch, hoje escreve isso, apenas com o objetivo de criminalizar minhas relações pessoais e políticas.

 

Carlos Azambuja do dito” Mídia Sem Mascara” (ou melhor, CIA Mascarada...) inventou um dossiê onde eu seria “ativista do PSOL, fundador e ideólogo, líder de uma corrente trotskista-morenista e (vejam só) até quadro médio do Secretariado Unificado da IV Internacional”. Olavo de Carvalho, em Zero Horas de 04/09/2005, me aponta como parceiro das FARC e do MIR Chileno e tudo isso – apesar de dois desmentidos - foi parar no Wikimedia que é a “fonte confiável” que Maierovitch utiliza para criminalizar minha relação com o PSOL.

 

Mais grosseiro foi o uso da foto da AP, de 1975, usada por fazer o link com Battisti, usando uma legenda no estilo VEJA. Pois, a legenda original era: Tribunal de Roma, 1975: julgamento de Achille Lollo onde ele, Marino Clavo e Manlio Grillo foram absolvidos por faltas de provas! A legenda da revista é o contrário finalizada com o epíteto “este se safou no Brasil”.

 

Como jornalista queria debater a metodologia e os conteúdos deste artigo, visto que Carta Capital tem uma história e um conceito de jornalismo que não pode ser misturado à raiva tucana de Walter F Maierovitch. Porém não há espaço. O farei com uma Carta Aberta ao Diretor e ao coletivo de Carta Capital, inclusive para tentar explicar alguns erros de conteúdo histórico no artigo de Leandro Fortes.

 

Mino Carta é livre de sustentar os pedidos do Ministro Mastella (“...Vou fazer de tudo para extraditar Battisti...”) mas, por favor, me deixem fora desta jogada!

 

Achille Lollo

 

 

 

 

A seguir apresento o segundo pedido de resposta que foi enviado na madrugada de dia 06/08/2007 e que espero seja publicado na próxima edição nº 457 de Carta Capital.



Escrito por lucemiro às 19h14
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Itália, Anos de Chumbo

Algumas reflexões após os artigos de Carta Capital

 

Achille Lollo

 

Nas edições nº 453 (18/07/2007) nº 456 (98/08/20007) da revista Carta Capital o comentarista – ex-desembargador paulista – Walter Faganiello Maierovith assinou dois artigos para cercear qualquer tipo de defesa jurídica no processo de extradição de Cesare Battisti e, assim, ganhar a opinião do leitor progressista.

Ao mesmo tempo, o autor pretende desqualificar o Supremo Tribunal Federal fazendo um inexistente link entre minha história política e jurídica e a de Battisti, dando também a entender que o Brasil virou “porto seguro de mafiosos e terroristas”!

 

 

Antes de entrar em mérito, apresento o pedido de resposta à Carta Capital nº 453 (não publicado na integra por ser demasiado comprido).

 

Itália: Anos de Chumbo é outra história (01)

 

O encontro entre o Embaixador italiano Valensise e o Diretor Mino Carta antecipou a publicação do Especial de seis páginas contra Cesare Battisti, cujo pedido de extradição está no TSF. Na pág. 16 e 17. Walter F. Maierovitch, repete o que já fez no Jornal Terra e depois na Carta Capital nº282 de 17/04/2004 (o artigo saiu na coluna do diretor Mino Carta) antecipando “Oxalá por mera casualidade” a campanha de outdoors que o partido neofascista AN fez no Rio de Janeiro, para pedir nova minha extradição uma vez que a prescrição dos crimes já havia vencido.

 

De fato, o Tribunal de Roma, a pedido do advogado de Marino Clavo, aos 25/01/2005 declarou que os crimes menores (3+3+1+1+1+1 anos) já havia prescrito em 13/10/1997 e que o crime maior (8 anos) prescreveu em 13/10/2003. Maierovitch sabe disso, mas prefere dizer que a prescrição veio “... Há pouco...” para generalizar a criminalização política de Battisti e criar um link entre meu caso jurídico (1973) com o de Batisti (1978/79), um link político ou jurídico que, de fato nunca existiu.

 

Há, também, interesse em isolar minha pessoa no âmbito da esquerda brasileira e por isso Maierovitch chega a MENTIR dizendo que eu me apresentava na mídia italiana como “ideólogo do PT”. Mentira! Nunca disse isso! A própria edição nº 282 desmente Maierovitch ao dizer que eu era só um “militante ativo do PT”. Perguntem ao vosso Diretor Adjunto Mauricio Dias - de que eu fui professor de italiano quando ele trabalhava no JB-se me apresentei como “ideólogo do PT”! Perguntem a Giancarlo Summa (vosso colaborador) se, em 1993, na entrevista pelo jornal italiano La Stampa falei algo semelhante! Perguntem a Rocco Cotroneo, correspondente do Corriere della Será.



Escrito por lucemiro às 19h13
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Luciano Huk foi assassinado?

Hoje de manhã, quando acordei, meus sogros me disseram que Luciana Huck foi assassinado. Um programa matinal da Record aproveitou sensacionalisticamente a matéria do Luciano (FSP). Ocorreu confusão com a primeira frase, colocada pelo próprio apresentador:"Luciano Huk foi assassinado".

Ele foi assaltado em São Paulo e resolveu protestar. Está com toda a razão. Não é só porque um movimento é feito pelos ricos que não tem nenhuma razão de ser. É sinal de que os ricos fizeram um "mapeamento cognitivo". Meu amigo Laerte escreveu dizendo que o movimento Cansei! seria uma reedição das marchas contra Jango em 1964. Não vejo muito a ligação. O movimento foi causado, penso eu, pelo pandemônio aéreo, que afeta pessoas de melhor poder aquisitivo.

 



Escrito por lucemiro às 19h00
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Fernando Gonzaga, o Groza, é o dono de uma editora independente em BH, a Dez Escritos. Ele editou meu livro Penetrália, que deu nome a esse blog, em 2005. Olívia Dolabela fez maravilhosas ilustrações abstratas e lançamos no bar da Emília, o Desde 1999, no mítico e clubendesquínico bairro de Santa Tereza. Groza veio ontem até minha e casa e me confessou: "nunca consegui lançar um autor cristão, água com açúcar. Sempre lancei livros de vanguarda, Madrinha, de Sônia Queiroz, Guimar de Grammont, o Nome da Lembrança, de Lúcia Afonso, Rita Espechit. Livros que são agressivos, são uma porrada na cara do leitor." Fernando, formado em Psicologia, é um poeta da agressividade e das porradas da vida. Num papo rápido falamos sobre Bush, Serafim Ponte Grande, Brian Jones, Freud e Lacan, clones, de que parece mais fácil lidar com o crack do que com o cigarro, Kiether Sutherland (o seriado 24 horas na revista piauí), a tortura e a loucura. Recado para jovens escritores: suas propostas de publicação são interessantes e ele, além de editor, ele é excelente crítico.

Para quem quiser adquirir o livro Penetrália, estiver passando pelo Bolão e bater um papo com o Groza, o endereço é o seguinte: Praça Duque de Caxias, 316, Fundos, Santa Tereza.



Escrito por lucemiro às 11h39
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IRMÁOS! VIVA A LIBERDADE E A COISA NOVA! MINHA SALVAÇÁO VEM DIRETAMENTE DE BERDIAEV, NIETZSCHE E SEXO! MINHA VERDADE TRAZ TAMBÉM OS FATOS DA CIËNCIA DO ANO DOIS MIL. O TÉDIO QUE SURGIRÁ, A MORTE DOS RECÉM-NASCIDOS POR CAUSA DO AUMENTO INCRÍVEL DA NATALIDADE! E O QUE É MAIS IMPORTANTE A MORTE DA MÁQUINA PELA PRÓPRIA MÁQUINA! ESTÁ NA HORA DO ETERNO RETORNO! VIVA! MORTE AO COMUNISMO! EU SOU A ÚLTIMA ESPERANÇA DO OCIDENTE! RESSURREIÇÁO DOS MITOS PAGÃOS TRANSPORTADOS, MISTURA DE CRISTO COM TUDO ISTO E ISTO SOU EU! COOL JAZZ, ROCK AND ROLL! E SAMBA TRISTE CANÇÃO! TUDO REFLETE VIGOR! COISA NOVA! VITÓRIA! RESSURREIÇÁO APESAR DE NÁO EXISTIR RESSURREIÇAO! (MAUTNER, 1962, p.441)

Escrito por lucemiro às 11h35
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Deitado em meu quarto, escureceu. Cochilei: imagens me vinham à cabeça: Zé Agrippino, Inri Cristo. O som, ao fundo, Ray Connif. Vestido como um profeta bíblico, mandava mensagens telepáticas: “quando menos se espera a paz nos penetra”. Outras frases chegavam sem sentido. Estática: Ariano Vilar Assassino careca, a onça Caetano... Filosofia penetral, Penetrália. Resolvi também mandar uma mensagem. Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto. Sua gratidão me confortou. Partimos em silêncio. Subimos numa duna: estávamos numa praia do Ceará. De longe via o mar azul. Zé Agrippino entrou lentamente no mar: “a paz invadiu meu coração”, foi a mensagem que veio. O mar abriu-se entre algas vermelhas, tentei seguir Zé Agrippino, mas o mar arrebentou-se em mim. Ele sumiu. Na altura tudo era paz. Acordei com o final da canção de Teca Calazans nos lábios: “e a Serra do Rola-Moça, Rola-Moça se chamou...”

Escrito por lucemiro às 11h34
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Coloquei um CD e o rock dos Beatles existiu. Gosto de Across the Universe com Fiona Apple e com a banda eslovena Laibach. A banda eslovena incluiu um coral de camponesas e meninos uniformizados. Depois voltei a ouvir a voz de John Lennon enquanto imaginei planetas, luzes e astros, céus e estrelas, sóis. Ouvi a voz grave de Agrippino me falando que mal folheou a dissertação que eu mandei, de autoria de Carlos Henrique Bento, sobre ele mesmo, Zé Agrippino. A capa de Sergeant Pepper´s tinha Hitler escondido lá atrás, fiquei sabendo. Junto com Marlon Brando, Buda e Jesus-Hitler. Porque alguém ficou na frente de Hitler, por isso ele não apareceu: supus que fosse Jesus. Mautner em Deus da Chuva e da Morte falou em Jesus-Drácula. Numa outra revista, li que o marido de Elke Maravilha a faz rir ao sair do banho com uma toalha na cabeça e cantando Carmen Miranda. Os filmes de Agrippino: Hitler Terceiro Mundo, Rito do Amor Selvagem.

Reflito: a região do Retiro, próxima de Belo Horizonte, era a antiga Serra do Rola-Moça, gerou uma canção popular coletada por Mário de Andrade e musicada por Teca Calazans. Sergeant Pepper´s foi lançado no mesmo ano do primeiro disco dos Doors. John Lennon e George Harrison curtiram o orientalismo indiano, Jim Morrison preferiu o xamanismo, Castañeda, o deserto. Os livros de Agrippino: Lugar Público, PanAmérica.



Escrito por lucemiro às 11h34
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Abri hoje os jornais e li: morre José Agrippino de Paula. Fiquei com essa notícia na cabeça. Preciso ir até o Retiro do Chalé, onde meus pais possuem um terreno e pagar o condomínio. O Retiro fica perto de Belo Horizonte e é um lugar paradisíaco: um belo lago onde se pode pescar, restaurante, clube com piscinas, cachoeira. Marcos Valério também possui uma casa lá. Mas me fecho em meu quarto e penso somente em Zé Agrippino, Zé Agrippino e seu romance interminável: Os Desfavorecidos da Madame Estereofônica.



Escrito por lucemiro às 11h33
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Bienale

Não ponho a tralha em

Veneza.

Não cave o chão de Veneza.

Não leve os ossos para

Veneza.

Não mexa em suas pedras.

No mouro morto o siroco

antigo

bronze oco na tarde

líquida

ou baque rouco quando cai um corpo

sopra e soa.

Pasce a hedra, medra o

ferro vegetal do charco. Nenhum cenário reflete na laguna, mas no palácio

Espécime carnal de osso

fóssil que tudo formou

escaravelho de lodo

preso no formol

Suas presas são de lama.

Voa sobre a gôndola

côncava.

ou dentro da porcelana

voa no sono e na seda e cada pedra em Veneza

Nuno Ramos



Escrito por lucemiro às 11h31
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Na entrevista, Walesa disse que a tarefa dele era muito mais difícil que a de Lula. E usou a metáfora do aquário e da sopa. A tarefa do político polonês, que governou seu País em meados dos anos 90, era a de transformar uma sopa de peixe em aquário (com apoio do Vaticano e do neoliberalismo). Lula precisava simplesmente transformar o aquário em sopa de peixe; para isso, dizia Walesa, apresentando vastos conhecimentos culinários, bastava aquecer o aquário e tudo iria se decompondo. As algas já estariam ali, afirmou ele (será que se come sopa de algas na Polônia?) Ou seja, bastava agitar o capitalismo e decompô-lo com igualdade que se chegaria ao socialismo.

 

Já ele teve que transformar a decomposta sopa de peixe em aquário, ou seja, transformar uma sociedade dividida entre burocracia partidária e povo em uma sociedade burguesa de classes. Ele afirmou que foi parcialmente bem sucedido, que já existem alguns peixes no aquário polonês. Pelo tom que usou Walesa na entrevista, para se referir a Lula, ele pensa que Lula foi eleito para fazer sopa de peixe.

 

Mal sabe ele que há muito Lula se conformou em ser apenas uma Lula gigante no aquário de horrores brasileiros, que parece mais um aquário de peixes abissais, com suas formas monstruosas, bocarras disfarçadas, iscas luminosas e traiçoeiras...

 

E Walesa me parece um desatualizado quadro na parede: a Polônia está em guerra de novo, agora no Iraque. E que o Deus de Ratzinger me livre de ter de provar, um dia, sopa de peixe polonesa.

Escrito por lucemiro às 11h29
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Lech Walesa e Lula: O Aquário e a Sopa de Peixe Polonesa

Há muito estou para escrever esse texto sobre Walesa e Lula. Ele foi motivado por uma entrevista de Walesa ao Fantástico, já há algum tempo. O polonês deu uma entrevista falando de Lula e resolveu recorrer a seu arsenal de metáforas. Consta que a imprensa sempre procurou aproximar Lula e Walesa, ambos líderes sindicais de países católicos surgidos no início dos anos 80. No entanto, quando finalmente alguém armou uma entrevista entre os dois, foi um fracasso. Lula ainda falava em socialismo e Walesa queria justamente tirar a Polônia de seu socialismo. Parece-me também que Walesa deu a Lula uma foto dele, como se fosse um astro pop. Lula retribui com um livro e ficou visivelmente constrangido ao receber a foto.

 



Escrito por lucemiro às 11h29
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Golpe e eu

No meu finado blog no google, penetrália, o texto que mais repercutiu foi um de seu Laerte, meu amigo de Juiz de Fora, sobre um suposto golpe contra o PT. Eu o reproduzi mais por querer publicar os textos de meu amigo, que são bons, tratam de atualidade, mas não "pisam no freio" quando se trata de fazer deduções indo longe demais.

Eu não acredito que um golpe contra o Lula esteja em andamento. Acredito no que disse Fábio Wanderley Reis, cientista político e professor da UFMG, na TV Assembléia, se não me engano: o Lula aplacou as elites, senão elas estariam, desde sua posse, tramando um golpe. No entanto, digo eu, aplacadas as elites (e isso quer dizer, por exemplo, manter a mesma equipe de Malan no ministério da fazenda) o risco do golpe é nulo.



Escrito por lucemiro às 11h25
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Todo terrível é telefone - negro à escuta guerrilheiro à espera

ao lado do sofá disfarçado na sala

na véspera da granada

com o grampo nos dentes fora do gancho

ocupando a única saída para que não estoure

(não posso nem pelos cabelos

antes que acabe e toque

o infinito, te agarrar, nos fios, pare daí)

Escrito por lucemiro às 11h20
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Ravel

Todo telefone é terrível - negro guerrilheiro, à escuta na sala disfarçado ao lado do sofá à espera, no gancho

sempre na véspera

com o grampo da granada

já nos dentes.

A única saída é ocupá-lo

para que não estoure

 

 

 



Escrito por lucemiro às 11h19
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Publiquei em papel e gostei (III)

E mais uma. Existem meios de papel em que a gente publica e é remunerado, por incrível que pareça isso hoje em dia. Um deles é o Suplemento Literário de Minas Gerais. O estado paga, fazendo sua obrigação (ele tem uma, sim) de impedir que a cultura do País fique entregue ao mercado, pois o mercado é caótico, não organiza nada, ao contrário do que pensou o FHC em entrevista recente na Piauí.

Cheguei a publicar gratuitamente no Pensar do Estado de Minas, pelo menos uma vez. Depois reclamei com o João Paulo, que é o editor do Caderno. E ele me deu as costas, nunca mais publicou nada meu. E o cara fica pregando moralidades e filosofias na coluna dele de editor. Um dos problemas desses meios é essa hipocrisia. Inez Lemos também me disse que publicava lá de graça. É triste, pois quem escreve sabe o trabalho que dá escrever um texto, reler, corrigir, procurar quem leia para dar opinião, normatizar, comprar livros para atualizar com dados...

Vale a pena publicar pois há muito para ser dito e escrito nesse País. Como disse o Gilberto Vasconcellos, organizados para valer,  no Brasil, são o exército e a Rede Globo. O governo FHC liberou a criação de faculdades particulares, Lula liberou o ensino à distância. Como em outros meios, aprofundou o processo. Ainda não vi nenhuma análise sobre esse processo de mercatilização do ensino.

E quem publica literatura deve experimentar com a linguagem, deve procurar inovar.

 



Escrito por lucemiro às 21h56
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Ainda sobre publiquei e gostei

Voltando a falar nesse assunto, observo que movimentos que ressaltam o pouco ganho do escritor no processo todo estão corretos. Há um certo darwinismo social que defende que há espaço somente para alguns, outros devem rodar. É a vida, dizem. No entanto, Machado de Assis surgiu porque existia um meio que o acolheu. Com certeza ele era composto de gente que não escrevia tão bem quanto ele. Para existir um Drummond, foi preciso existir um Emílio Moura, um Bueno Rivera, um Abguar Renault: são poetas que poucos conhecem mas que fazem versos com versejador de qualidade.

Ainda é forte no Brasil o colonialismo cultural.

 



Escrito por lucemiro às 21h44
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Publiquei em Papel e Gostei

Verifico que está em voga em determinados meios da internet debochar  e escarnecer do desejo de se publicar em papel. Para quê, perguntam. Eu publiquei em papel um livrinho por uma editora independente, a Dez Escritos, do meu amigo Fernando Gonzaga, que mora em Santa Teresa, Belo Horizonte.

E valeu muito a pena. Em primeiro, creio que existem coisas que ninguém pode escrever por mim: cada pessoa é única. Fernando (o Groza), editor e psicólogo, mostrou-se excelente leitor. E isso, quem escrever qualquer assunto precisa: alguém que leia e comente. A edição foi limitada, a repercussão, limitada a dois  jornais do interior; em um deles eu era colunista. Eu tive que resenhar a mim mesmo. Mas fiquei feliz assim mesmo, pois assim informei meu público e orientei a emissão de significados a respeito do meu livro: eu o apresentei como um livro a favor das mulheres. Elas formam boa parte do público leitor e recebem menos ao exercer as mesmas profissões, ou seja, são oprimidas. Oprime-se também o feminino no homem.

Sempre que vejo um livro de autor iniciante ou recebo um para resenhar (já recebi de vários amigos: Ramon Maia, Wir Caetano, Johnny Guimarães, dentre outros) recebo e leio no maior respeito, quase como se fosse meu livro. Mas eu não me sinto na obrigação de fazer essas paráfrases que emitem juízos religiosos: "bom" ou "ruim". E resenhista bom tem que assumir que é crítico e tem idéias.



Escrito por lucemiro às 21h23
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Entrevista D. Fiota

Uma Entrevista Inédita com D. Fiota

                                   Lúcio Emílio do Espírito Santo Júnior

 

            Por ocasião do lançamento de mais um livro sobre a Língua da Tabatinga, ainda que se data prevista de lançamento em nossa cidade, resolvi dar a voz para Maria Joaquina da Silva, Dona Fiota, essa lutadora pela cultura afro em nossa cidade. Transcrevo abaixo uma entrevista inédita com D. Fiota:

 

Lúcio: Como era com seu pai, sua mãe, sua família? Você falou com a Brigitte que aqui era tudo mato?

 

Fiota: Meu pai era baiano, vivia andando pelo mundo. Minha mãe estava trabalhando no tempo da escravidão, no tempo do cativeiro. Ele foi passano e acenou para ela. Ela foi e perguntou se ela não arrumava um serviço para ele. O patrão falou: aqui só tem ranca de mandioca. Ele foi e deu ele o serviço. E nesse tempo ela era sortera. Aí ele foi namorano, namorano. Ele resolveu pedir a mão dela em casamento. Ela falou: não, não pede agora não, minha mãe é muito nervosa. Aí pediu, foi aceito, eles arrumaro e casô. Logo quando ês casô, ela contava para mim que ele falô: “Eu sei duma cultura que é a mió coisa do mundo, e vou te ensinar ocês uma cultura, que quando a gente tiver famia, isso vai ser muito bom procês”. Quando nós nascemo, ela falou, vou ensinar para vocês uma cultura que seu pai deixou para vocês. Eu falei: muito custosa? Ela falou: não. Ela estava sentada fiando fio de algodão e ia dizendo, vamo hoje na linguagem, foi explicar a você cumé que é. E aí ela foi contando para mim o jeito que ela explicou para ela. Meu irmão falou: vamos brincá. Ele falou: não, não vô aprendê não. E eu aprendi, e hoje sou muito percurada, recebo todo mundo de braços abertos, gosto muito do jeito que ês me trata. Agradeço muito ao Simão, que abriu a mão para mim. Ao Beto, Beto me deu a maior força, maior apoio. Eu falo para todo mundo quarqué hora a língua da gira. Ela começou assim: quando minha mãe tava lá, ele falava: cafingueiro caxô. Patrão chegava, eles falavam: catingueiro caxô. Caxô o quê? No curima. Ela tava querendo dizer que o patrão chegou. Essas tinham que tirar uma tarefa. Comia mandioca e achava que era um almoço muito bacana. A gente não pode falar o nome do trem. Não tem assango? Não, não tem assango não. Tem cambelera, não, cambelera também não caxô não. Quando rebentô a liberdade, minha mãe saiu lá Engenho do Ribeiro caçando um lugá. Isso aqui tudo era mato. Nós foi luitá para fazer uma barraca de lona. Nós fizemo, entramo. A barraca acabou, nós fizemos a piteira. Nossa casa era coberta de “apita” ao redor. A coberta era apita. Não tinha jeito de buscar água mais perto, buscar água era lá no chacrinha. A gente pegava a pineira e coava, tirava barro. Nós tirava barro era no meio do garimpo aqui. Nós entrava dum lado e saída do outro. Nós ia com as enxada atrás tirando a terra. Nós custô demais fazer um cômodo barreado mas nós fizemo, e aí o povo, todo mundo foi fazendo. Nós amassava era de pé,o barro. Não tinha amassador de barro, não tinha cavalo... Foi aonde que cresceu esse bairro tão maravilhoso. Só uma coisa eu quero, quero ver se dou conta de chegar lá. Quero tirá esse nome que botaram aqui, Ana Rosa. Pô o nome que era. O nome Tabatinga foi minha mãe que colocou aqui. Na subida era um barro branquinho. Não tinha carro automóvel, era carro de boi. Toda vida foi Tabatinga. Desde o tempo da escravidão. Aí mandou por Ana Rosa. Se Deus quiser, quero tirar Tabatinga e pôs Ana Rosa. Aqui no bairro é muito difícil quem fala a língua. Uma das pena que ficou de resto que pode contá foi só eu. Tem muita gente que grita aí só aquelas paiaçada de cuete ocora, cuete cafuvira, mas não interessa pelo bairro.



Escrito por lucemiro às 21h09
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